A Liberty Media entrou com força no mundo do motociclismo; ao adquirir parte da Dorna, tem assim uma palavra a dizer acerca do futuro do campeonato mundial das Superbikes.
A Dorna e a Liberty Media são as atuais detentoras do campeonato. De realçar que este campeonato não tem tanto apoio financeiro por parte do MotoGP, no qual a Dorna financia diretamente as equipas de forma sustentável. Existem também vários patrocinadores que financiam as equipas através de contratos publicitários e aparições em eventos, entre outros.

No mundo das Superbikes tudo é mais complicado.
A verdade é que a torneira de dinheiro não deita tanta água para o lado das WSBK. A visibilidade limitada e a promoção restrita do campeonato dificultam investimentos significativos, ou a oportunidade de testar novos públicos.
Um campeonato com menos rondas e, apesar de ser competitivo, no TOP 5 encontramos sempre os suspeitos do costume, e é raro ver alguém a surpreender com resultados inesperados.
Existem vários pilotos pagantes.
Grande parte deste campeonato tem pilotos com investimento próprio para competir, pois é a única maneira de alguns terem motas minimamente competitivas, já que este é o campeonato que mais se assemelha à categoria rainha.
Com os elevados orçamentos pessoais que esses pilotos trazem, aliado ao possível talento natural, esperam conseguir o ambicionado salto para o mundo do MotoGP, onde aí podem tentar alcançar a fama e os títulos do prestigiado campeonato.
Juntar o útil ao agradável.
Toprak foi o mais recente piloto a conseguir esse feito, e acredito que tenha sido graças ao seu talento e à sua maneira de cativar o público. A Dorna precisa desesperadamente de encontrar alguém no MotoGP com carisma, pois desde Valentino Rossi nenhum piloto com esse carisma se destacou recentemente. Além de pilotos verdadeiramente monstros em pista, como Marc Márquez, o campeonato só poderá realmente dar o salto para o nível seguinte se aparecer alguém com carisma, e o turco é isso tudo.
O piloto turco consegue saltar as etapas de formação.
Toprak saltou o caminho tradicional para chegar ao MotoGP. O piloto turco apenas competiu na Red Bull MotoGP Rookies Cup em 2013 e 2014 e não passou pelo Moto3 e Moto2.
Jack Miller, que curiosamente, tal como o seu colega de equipa atualmente na Prima Pramac, saltou também o Moto2. Jack Miller — e principalmente a Dorna, na altura da promoção — foram amplamente criticados pela subida direta do Moto3 ao MotoGP.
Em relação à entrada de Toprak, não houve essa discussão, pois o piloto vem de dois campeonatos seguidos em que conquistou o título e tem a personalidade e o carisma de uma verdadeira estrela de MotoGP. Há quem diga até que a sua estreia no MotoGP já vem tarde.
Vender o produto.
A Dorna, ao “transferir” Toprak para o MotoGP, vai perder o carisma e a sua grande atração das Superbikes. Por outro lado, ganha isso tudo no MotoGP, onde junta as maiores estrelas do mundo do motociclismo.
A reforma de Jonathan Rea.
Com a saída do múltiplo campeão das Superbikes, um verdadeiro embaixador, a Dorna e a Liberty Media deixam de contar com mais um atrativo importante para o campeonato, a juntar à saída de Toprak. Como irão descalçar esta bota?

Miguel Oliveira.
A resposta a alguns destes problemas pode passar pelo português Miguel Oliveira. A realidade é que Oliveira tem um palmarés invejável para muitos pilotos, com cinco vitórias no MotoGP, apesar de muitas lesões e consequentes irregularidades na sua pilotagem.
As Superbikes, contudo, têm duas corridas em Portugal: no Estoril e em Portimão. Vai ser crucial divulgar bem o produto e torná-lo apetecível, pois os organizadores do Estoril e de Portimão têm nas mãos uma verdadeira oportunidade de capitalizar algum investimento. Acreditamos que, se o evento for bem publicitado, irá ter casa cheia em ambos os Grandes Prémios, mesmo numa categoria inferior.
Preços das bilheteiras no WSBK.
O preço para a admissão geral é quase metade do que no MotoGP, o que pode ser uma solução viável para trazer mais pessoas às bancadas do Estoril, visto que é o mais próximo da capital, Lisboa. Ainda assim, as condições do circuito do Estoril não são as melhores.
As bancadas e as boxes encontram-se com bastante desgaste e é notável a falta de investimento por parte da entidade gestora do Estoril. Seria bastante positivo se houvesse uma remodelação do circuito, porque, se houver uma romaria por parte do público português ao circuito aquando decorrer uma corrida no Estoril, irão ficar bem desiludidos e ficar com uma má imagem do que o campeonato de Superbikes tem para oferecer.
Já Portimão tem a vantagem de estar relativamente mais perto da fronteira com Espanha e costuma atrair bastantes visitantes estrangeiros para os seus eventos. Embora num passado recente este circuito fosse o topo em termos de condições e infraestruturas, hoje já não é bem assim, e houve relatos de falhas de energia e de rede Wi-Fi de vários jornalistas que se deslocaram a Portimão para cobrir o evento.

Como a Liberty Media agita as águas?
Este pequeno vídeo mostra o que falei à pouco mais acima. Como a aquisição do MotoGP e da Dorna impacta o mundo do motociclismo e indiretamente as Wsbk
A nossa opinião:
O campeonato de Superbikes tem bastante para oferecer. Apenas faltam alguns ajustes, porque a nível de corridas e emoção a competição existe. Há uma falta enorme de investimento, pois o MotoGP leva grande parte da fatia em termos de orçamento, mas, com a orientação certa, quem sabe, a Liberty Media consiga empurrar as WSBK para um bom caminho.
As nossas soluções:
- Investir mais na competição — fazer mais publicidade nas cidades e no país do evento. No ano passado, não me recordo de ver na televisão que o campeonato passava pelo Estoril ou Portimão.
- Contratos com operadoras de TV — existem sempre mais mercados a explorar. O exemplo em Portugal é a Sport TV, um canal pago, e a Eurosport 2, que é “aberto” (depende da operadora). Com a principal diferença de que a Sport TV passa todos os treinos e tem comentários dedicados, enquanto a Eurosport 2 apenas transmite as corridas.
- Atrair famosos para o Paddock: Tal como no MotoGP, seria benéfico atrair personalidades reconhecidas internacionalmente para o paddock. Entendemos que é difícil, mas, quem sabe com a chegada de Oliveira comecem a aparecer famosos no paddock, principalmente no Estoril que é a corrida mais perto da capital, Lisboa.
- Investir no mercado On-line: Melhorar a presença on-line e melhorar a publicidade. Nos recentes anos parece-nos que a presença online do campeonato tem sido largamente negligenciada. O marketing on-line é um investimento significativo, mas é um ponto fulcral, visto que os nossos olhos passam mais tempo no ecrã do que a olhar para a rua.
- A comunicação social: As televisões também não têm de momento grande interesse em cobrir este tipo de campeonato com pouca visibilidade. A visibilidade limitada e a ausência de histórias envolventes sobre os pilotos contribuem para a perceção de menor emoção no campeonato!
- Falta de emoção e história: A emoção que pilotos como Márquez e Rossi trazem está em falta na competição atual. Pois é o que falta nesta competição. Alguns pilotos, devido à dependência de patrocinadores modestos, podem ser mais cautelosos em pista e aos microfones, o que reduz momentos de maior emoção dentro e fora da pista.

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Explora como a Liberty Media pode mudar o rumo do MotoGP
Sobre o Autor
Osvaldo Figueiredo é o pseudónimo do fundador do PneusQuentes.pt . Apaixonado por MotoGP, Fórmula 1 e desporto motorizado, combina experiência jornalística com conhecimento em engenharia e estratégia de corridas, oferecendo análises detalhadas e notícias confiáveis para fãs de automobilismo.




