Mudanças de regulamento 2026 – Fim do DRS

Atualizado a 05/01/2026

Em 2026 novas alterações ao regulamento vão alterar ligeiramente os monolugares como os conhecemos. O objetivo destas alterações é melhorar a segurança, tornar os carros mais eficientes no que toca ao consumo de combustível/energia e cortar nos custos de produção em geral.

As alterações vão ser:

  • Fim do DRS e introdução do MOM ( aerodinâmica ativa)
  • Pneus da Pirelli vão ser menores
  • Alterações no comprimento e largura dos carros
  • O motor vai ter divisão de 50/50 entre a entrega de combustível e de potência elétrica
  • Combustível 100% sustentável
  • Fim do MGU-H (Motor Generator Unit – Heat) 
  • Introdução de uma nova estrutura de impacto frontal
  • Aumento do teto orçamental (comparado a 2025)

Vamos abordar mais a frente todos estes pontos em mais detalhe.


1. Fim do DRS e introdução do MOM

É o fim do DRS. A redução do arrasto aerodinâmico foi introduzida em 2011 com o objetivo de aumentar o número de ultrapassagens. O campeonato de Formula 1 estava sob grande pressão, pois as corridas eram um pouco monótonas e esta foi uma das soluções encontradas para aumentar o número de batalhas em pista.

Teve um impacto positivo e na realidade as ultrapassagens em pista aumentaram, mas tornou-se um pouco aborrecido deixar se ver as batalhas “no braço” e sem ajudas.

Sem dúvida facilitou a vida aos pilotos e também capturou a atenção dos espetadores do desporto.


2. Alterações aos pneus da Pirelli

Os pneus da Pirelli vão sofrer uma diminuição no tamanho, e uma pequena alteração no design.

Nos testes pós temporada notámos que é mais fácil agora distinguir o composto usado em cada carro pois as bandas de cor são um pouco maiores.

Isto é altamente vantajoso, por exemplo, para quem está numa bancada a uma dezena de metros de distância dos carros vai conseguir ver melhor e sem as dificuldades anteriores qual o composto que cada carro esta a usar.

3 . Alterações no comprimento e largura dos carros

Em geral os carros vão ficar mais ágeis e compactos – talvez num futuro próximo iremos ter ultrapassagens no Mónaco. Parece mesmo que a FIA, finalmente, tem como objetivo claro tornar os carros mais pequenos e assume de certa maneira que estava errada ao aumentar o tamanho e o peso dos carros.

Com estas novas características dos monolugares é expectável que exista a redução do ar sujo, e isso vai melhorar eficazmente as oportunidades de ultrapassagem para o carro perseguidor.

Dados técnicos para 2026:

  • Distância entre Eixos (Comprimento): Redução de 200mm, para um máximo de 3.400mm.
  • Largura Total: Redução de 100mm, para um máximo de 1.900mm.
  • Largura do Piso (Chão): Encurtada em 150mm.
  • Peso Mínimo: Reduzido em 30kg (meta de 768kg ou 770kg, pois ainda não existe um verdadeiro consenso.
  • Pneus: Mais estreitos (25mm à frente, 30mm atrás), para reduzir arrasto e peso não suspenso. 

Em resumo – carros mais pequenos e leves para que possa haver mais ação em pista.

4. Entrega de combustível e de potência elétrica

Os motores vão ser construídos do zero e os fabricantes não têm mãos a medir.

Para homologar estes motores e para que estejam em concordância com as apertadas normas da FIA, cada fabricante responsável de produzir a sua unidade motriz é acompanhada por um membro delegado pela FIA que vai garantir que o processo de produção do motor obedeça as regras impostas.

Cada parte do motor que seja produzida a construtora tem que garantir que acertou na interpretação das regras e que garanta ao mesmo tempo a fiabilidade e alta performance do seu carro.

Existem várias interpretações aos regulamentos e a FIA vai observando e vai aprovando pequenas peças ou conjuntos que fazem parte da construção de um motor .

É nesta altura que é crucial não cometer erros durante o desenho e construção do bloco, pois se tal acontecer, só na corrida de Miami é que as equipa podem submeter uma nova homologação aos seus componentes do motor.

A FIA está presente nesses momentos de maneira a garantir que as regras são aplicadas e que não existem “batotas” por parte dos fabricantes e que os seus carros sejam fiéis aos regulamentos, numa tentativa de manter o equilíbrio entre todos os carros da grelha de partida.

Porque isto é necessário?

Um exemplo prático no passado, foi quando a equipa que construiu o Brabham BT46B encontrou uma zona cinzenta na regulamentação e apareceu com o motor “fora da caixa” em que tinha uma ventoinha enorme na traseira do seu carro. Deixo um vídeo interessante para entender melhor o porquê do banimento e como uma vantagem técnica pode ser má para o campeonato em geral.


Combustível 100% sustentável

A FIA permite que cada construtor escolha os seus parceiros para o desenvolvimento do combustível a utilizar, o que abre uma importante oportunidade de investimento e inovação por parte das empresas petrolíferas.

Este combustível será obrigatoriamente neutro em carbono, ou seja, o carbono utilizado na sua produção não é retirado do subsolo (como acontece com os combustíveis fósseis), mas sim obtido através da captura de CO₂ já existente na atmosfera ou proveniente de processos industriais.

Após a combustão, os gases libertados pelo escape dos carros continuam a incluir CO₂, pelo que não se trata de um sistema de emissões zero. No entanto, o impacto climático é reduzido, uma vez que a quantidade de carbono libertada é equivalente à que foi previamente capturada para produzir o combustível. Assim, quando produzido com energia renovável, este combustível permite um ciclo praticamente neutro em carbono.

Em resumo:

  • Escape continua a emitir CO₂
  • Não é zero emissões
  • Carbono não é de origem fóssil
  • CO₂ capturado previamente
  • Emissões ≈ captura
  • Impacto ambiental reduzido
  • Neutralidade depende de energia renovável
  • Fornecedores escolhidos pelos construtores
Fabricante do motorEquipasFornecedor de combustível
MercedesMercedes, McLaren, Williams, AlpinePetronas
FerrariFerrari, Haas, CadillacShell
HondaAston MartinAramco
Red Bull Powertrains-FordRed Bull, Racing BullsExxonMobil
AudiAudiCastrol (em parceria com a BP)

6 . Fim do MGU-H

O MGU-H (Motor Generator Unit — Heat) é uma uma tecnologia introduzida pela Formula 1 nos regulamentos de 2014 e revolucionou os novos motores ao reduzir quase por completo o turbo-lag para controlar a rotação do turbo.

Foi a principal razão do sucesso da Mercedes quando foi introduzido. A equipa alemã conseguiu entender e aplicar melhor que os outros fabricantes esta tecnologia.

Eis as vantagem:

  • Recuperava energia do calor dos gases de escape: Foi um dos grandes pontos de destaque na Formula 1.
  • Gerava eletricidade: Conseguia gerar eletricidade para armazenar nas baterias e ser utilizada num momento especifico, a pedido do piloto ou podia alimentar diretamente o MGU-K
  • Redução do consumo de combustível: A gestão deste sistema foi crucial, pois as equipas conseguiam colocar menos combustível nos carros e torna-los mais leves.

Esta tecnologia foi anulada para 2026, pois é caro para produzir e recentemente foi confirmado que o seu uso na vida real em carros de estrada não tem praticamente nenhuma vantagem útil e foi pouco utilizada nos veículos do dia a dia.

Esta remoção faz com que o campeonato seja mais sustentável e que o investimento nos monolugares seja reduzido e economicamente viável.


7. Introdução de uma nova estrutura de impacto frontal

O design foi revisto e é agora bastante mais seguro para os pilotos.

Em caso de acidente a estrutura frontal agora é mais robusta e em caso de impactos sucessivos a célula de sobrevivência vai resistir melhor a danos estruturais.

Os materiais vão continuar a ser os mesmos: Fibra de carbono, Resinas Epoxy e estruturas em favo mel e apenas o design e a maneira de produção dos monocoques vão ser atualizadas.


8. Novas luzes de segurança e antenas GPS mais eficientes

As luzes nas endplates, nas extremidades das asas traseiras também vão receber melhorias com luzes mais brilhantes para que os pilotos consigam ver melhor o carro à sua frente em condições em que o clima é instável.

Também vamos ter uma novidade para a segurança dos comissários de pista, com uma luz do ERS (sistema de recuperação de energia) se por exemplo, estiver um carro parado em pista, por algum motivo, ajudando os comissários a entender se o carro pode ser tocado, ou se existe algum risco de eletrocussão.

O sistema de GPS vai ter uma melhoria de tecnologia e vai ser capaz de processar dados mais rápido.

Isto vai ser útil para as transmissões na televisão e para as equipas, estas vão poder tomar decisões mais rápidas na pista.


9. Aumento do teto orçamental

É um facto que os fabricantes cada vez têm mais pessoas a trabalhar nas equipas e os materiais necessários para produzir os monolugares estão mais caros.

Para fazer face ao aumento dos custos de produção, desenvolvimento de peças e de staff, a FIA viu-se obrigada a aumentar o teto orçamental para todas as equipas.

Este foi teto máximo sofreu uma atualização de 124,5 Milhões de Euros para €198.8 Milhões de Euros.

Podes ler tudo aqui, na publicação oficial da FIA para 2026 (texto em Inglês).


Vídeo Oficial da FIA sobre as alterações

Grande parte das alterações está neste pequeno vídeo feito pela FIA no seu Youtube oficial. Vê aqui todas as mudanças que te falei!

Vídeo explicativo sobre os novos regulamentos

Comparação Rápida entre DRS e MOM:

Duas configurações:

  • X-Mode – MODO RETA : baixa resistência ao ar, mais velocidade em reta, ativado em zonas predeterminadas ao longo da volta.
  • Z-Mode – MODO CURVA : máxima carga aerodinâmica, otimizada para curvas.
  • Asas traseiras terão três elementos móveis, e a asa dianteira contará com dois flaps ajustáveis, proporcionando equilíbrio aerodinâmico.​

Eu prefiro usar estes dois termos mais simples: MODO RETA e MODO CURVA pois são mais fáceis de entender.

No teste pós temporada de 2025, equipas como a Ferrari e Mercedes testaram versões rudimentares do sistema de asas dianteiras. Conseguimos vislumbrar pequenas diferenças de como serão os novos monolugares para 2026.


Resumo das alterações na F1 para 2026

Num breve vídeo podes ver em forma de resumo todas as alterações no regulamento que falei acima:

CaracterísticaDRS (Sistema Antigo)MOM (Novo Sistema 2026)
Tecnologia UsadaAbertura da asa traseiraPotência extra por ativação (tipo push-to-pass) e Aerodinâmica Ativa
AtivaçãoDeteção em zonas específicas do circuitoMais flexível e operado pelo piloto
EstiloMuito previsívelDecisões estratégicas e difíceis de prever

Testes Pós-Temporada 2025

Ferrari

Foi a equipa que se mostrou mais preparada, com o seu “mule car” ( carros parecidos as versões de 2026), pois já tinham testado a nova borracha da Pirelli antes e já tinham autorização da FIA para testar esta nova versão.

A Ferrari pode ter uma vantagem por já ter testado a nova versão mais cedo.

Mercedes

A Mercedes foi mais prática e em várias fotografias ( não podemos divulgar por direitos de autor) era bem visível dois tubos hidráulicos que operam a asa dianteira.

Apenas a Ferrari e Mercedes tinham autorização para que os seus monolugares ultrapassassem a marca dos 300 km/h. As restantes equipas ficaram limitadas a esta velocidade por questões de segurança.



Conclusão: Uma Nova Era de Equilíbrio ou Novo Domínio?

A revolução de 2026 não é apenas estética; é uma mudança estrutural na forma como a Fórmula 1 se posiciona no mundo moderno. Ao abdicar do complexo MGU-H e apostar em combustíveis 100% sustentáveis e carros mais ágeis, a FIA tenta corrigir os erros do passado e trazer as batalhas “no braço” de volta às pistas.

A introdução do sistema MOM e da aerodinâmica ativa promete baralhar as estratégias e dar aos pilotos ferramentas para decidirem o seu próprio destino, em vez de dependerem apenas de uma zona de DRS. No entanto, como a história nos ensina, mudanças de regulamento trazem sempre o risco de uma equipa descobrir uma “zona cinzenta” e dominar o desporto.

Pelo que vimos nos testes pós-temporada, a Ferrari e a Mercedes partem com uma ligeira vantagem na recolha de dados, mas o jogo só começará verdadeiramente quando os novos motores rugirem em pista.


Sobre o Autor


Osvaldo Figueiredo é o pseudónimo do fundador do PneusQuentes.pt . Apaixonado por MotoGP, Fórmula 1 e desporto motorizado, combina experiência jornalística com conhecimento em engenharia e estratégia de corridas, oferecendo análises detalhadas e notícias confiáveis para fãs de automobilismo.

FAQ

O que é o sistema MOM que vai substituir o DRS?
O MOM (Manual Override Mode) faz parte da nova aerodinâmica ativa. Ao contrário do DRS, que dependia de zonas fixas e distância do carro da frente, o MOM permite ao piloto ativar potência elétrica extra e gerir modos de baixa resistência (X-Mode) ou alta carga (Z-Mode) de forma mais estratégica.
Por que é que os carros de F1 vão ser menores em 2026?
A FIA reduziu a distância entre eixos em 200mm e a largura em 100mm. O objetivo é tornar os carros mais ágeis, reduzir o peso em cerca de 30kg e diminuir o “ar sujo”, facilitando as ultrapassagens, especialmente em circuitos citadinos como o Mónaco.
O que muda nos motores com o fim do MGU-H?
O fim do MGU-H visa reduzir os custos de produção e a complexidade técnica, já que esta tecnologia tinha pouca aplicação nos carros de estrada. Para compensar, os novos motores terão uma divisão de potência de 50% combustão e 50% elétrica, utilizando combustíveis 100% sustentáveis.
Qual é a vantagem da Ferrari e Mercedes para 2026?
Nos testes pós-temporada de 2025, a Ferrari e a Mercedes foram as únicas equipas autorizadas a testar protótipos (mule cars) acima dos 300 km/h. A Ferrari, em particular, mostrou-se muito preparada com uma integração de asa dianteira mais próxima da versão final do regulamento.
O combustível de 2026 será totalmente livre de emissões?
Não. O escape continuará a emitir CO2, mas o combustível é considerado neutro em carbono porque o CO2 libertado é equivalente ao que foi capturado da atmosfera para a sua produção, não utilizando fontes fósseis.

Subscrever a nossa newsletter

Olá 👋

Registe-se para receber semanalmente conteúdos fantásticos no seu email.

Não enviamos spam! Apenas notícias sobre corridas!