F1 ou Fórmula E? A Nova Era de 2026 e o Erro da Ferrari na Austrália

MELBOURNE, AUSTRALIA - MARCH 07: Pole position qualifier George Russell of Great Britain and Mercedes AMG Petronas F1 Team Second placed qualifier Andrea Kimi Antonelli of Italy and Mercedes AMG Petronas F1 Team and Third placed qualifier Isack Hadjar of France and Oracle Red Bull Racing look on during qualifying ahead of the F1 Grand Prix of Australia at Albert Park Grand Prix Circuit on March 07, 2026 in Melbourne, Australia.
(Photo by Sam Bloxham/LAT Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202603070328 // Usage for editorial use only //

A tão aguardada nova era da Fórmula 1 arrancou na Austrália e trouxe consigo uma forma completamente nova de conduzir.

O GP da Austrália no circuito Albert Park foi uma verdadeira amostra do bom e do mau que os novos regulamentos de 2026 têm para oferecer, deixando no ar uma pergunta desconfortável: afinal, estamos a falar de F1 ou de Fórmula E?

Neste fim de semana, a verdade é que falámos mais sobre baterias e gestão de energia do que sobre a tradicional gestão de pneus e combustível.


A Corrida de Duas Caras: O Espetáculo e o Tédio

A corrida em Melbourne foi, no mínimo, confusa, mas dividida em duas metades muito distintas.

As primeiras 10 voltas foram fantásticas do ponto de vista do telespectador. Tivemos uma batalha intensa com três carros na luta pelo pódio, criando um efeito “ioiô” e uma competição apertada pelas primeiras 3 posições até à entrada do Virtual Safety Car (VSC).

No entanto, depois da corrida estabilizar, voltámos à realidade.

A segunda parte da prova foi a tradicional corrida aborrecida de Fórmula 1, muito à imagem do que vimos nos últimos três anos (até 2025).

Corridas monótonas são más para o desporto, e embora as batalhas iniciais tenham um lado positivo para atrair novos fãs, há um problema de fundo na forma como estas ultrapassagens acontecem.

O Fator “Artificial”: Correr no Braço ou nos Botões?

MELBOURNE, AUSTRALIA - MARCH 16: Max Verstappen of the Netherlands driving the (1) Oracle Red Bull Racing RB21
(Photo by Mark Thompson/Getty Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202503160318 // Usage for editorial use only //

Haver muitas ultrapassagens não significa, obrigatoriamente, que as corridas sejam cativantes — o maior exemplo disso é a Fórmula E.

A F1 está a sofrer o que a FE sofre.

Existem alterações na classificação com o modo Attack Mode da Fórmula E é uma funcionalidade tática obrigatória que oferece um aumento temporário de potência (até 350 kW na Gen3) para ultrapassagens ou defesa.

O problema desta nova geração de monolugares é que as ultrapassagens já não são feitas “no braço”, em grandes travagens que dividam a capacidade técnica dos pilotos.

Neste GP houve algumas ultrapassagens nas zonas de travagem, mas não tantas quantas desejávamos.

As corridas de 2026 parecem ter um lado artificial.

Tudo se resume a números: se o piloto da frente não tiver energia na sua bateria e o piloto de trás tiver a bateria cheia, a ultrapassagem é inevitável, independentemente de quem é o mais rápido em ritmo puro.

Charles Leclerc foi bastante crítico neste ponto no rescaldo do GP da Austrália, afirmando que o truque para vencer agora é simplesmente “carregar nos botões certos na altura certa”.

Até o modo de reta (uma espécie de novo DRS) existe essencialmente para os carros não gastarem a energia da bateria, provando que está tudo interligado num regulamento extremamente complicado.


O Desafio de Melbourne e a Qualificação

MELBOURNE, AUSTRALIA - MARCH 07: Isack Hadjar of France driving the (6) Oracle Red Bull Racing RB22 Red Bull Ford on track during qualifying ahead of the F1 Grand Prix of Australia at Albert Park Grand Prix Circuit on March 07, 2026 in Melbourne, Australia.
(Photo by Simon Galloway/LAT Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202603070245 // Usage for editorial use only //

A gestão de energia provou ser dificílima. A pista da Austrália é uma das quatro piores do calendário para a regeneração de energia. Foi exatamente por isso que os novos regulamentos prejudicaram tanto a performance pura dos carros nas voltas de qualificação. As voltas de sábado foram más, mas, ironicamente, foi isso que baralhou a grelha e fez com que o início da corrida fosse tão agradável de ver.

A Ferrari perdeu a corrida por não parar no VSC?

A resposta curta é: não necessariamente, mas o erro estratégico esteve lá.

Durante o período de VSC, a Ferrari optou por não parar, preferindo não perder a posição em pista.

Os estrategas de Maranello não entenderam que, com estas novas regras e nesta corrida em particular, a vantagem em pista (o famoso track position) não era é a prioridade absoluta.

Contudo, a verdade é que o carro da Mercedes estava muito rápido. A velocidade estava lá e, mesmo que a Ferrari tivesse parado Leclerc, o resultado final seria, muito provavelmente, o mesmo: a vitória da Mercedes.

E aqui reside o maior aviso para a concorrência: a Mercedes, de certeza absoluta, ainda não tem os seus carros a 100%. Eles estão, nesta fase, a proteger o motor para garantir que dura e para conseguirem extrair o máximo de dados possíveis.

Quando a fiabilidade desta unidade motriz estiver totalmente testada e validada, vamos ver a Mercedes a dominar lá na frente.

O que esperar da China e do Japão?

SHANGHAI, CHINA - MARCH 23: Yuki Tsunoda of Japan driving the (22) Visa Cash App Racing Bulls VCARB 02 on track during the F1 Grand Prix of China at Shanghai International Circuit on March 23, 2025 in Shanghai, China
. (Photo by Meg Oliphant/Getty Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202503230282 // Usage for editorial use only //

As próximas rondas levam-nos à China e ao Japão, onde vamos ver como os carros e pilotos se adaptam a traçados muito diferentes.

A pista da China, por exemplo, é peculiar por ter duas grandes retas seguidas, mas o “miolo” da pista deve ser suficiente para recarregar bem as baterias.

Será que teremos novamente inícios cativantes seguidos de finais aborrecidos?

As equipas de Fórmula 1 têm exércitos de engenheiros a trabalhar. Com os dados reais extraídos desta primeira corrida, as estratégias vão certamente mudar para contornar as regras.

Afinal, os pilotos querem arrancar da pole e desaparecer na frente; nenhum quer prejudicar os seus preciosos pneus a rodar no ar sujo atrás de outro carro.

Resta-nos aguardar para ver se teremos uma surpresa agradável ou se a Fórmula 1 se transformou definitivamente num jogo de xadrez elétrico.

O GP da China é já de 12 a 15 de Março de 2025


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