Recentemente foi noticiado que o MotoGP poderia fazer o seu retorno em breve. O campeonato já passou por terras chinesas de 2005 a 2008, no Circuito Internacional de Xangai, mas foi removido definitivamente devido à falta de interesse dos chineses, o que levou à fraca venda de bilhetes para o evento, numa era em que os motores de MotoGP eram de 800cc.
Mas esta situação alterou-se, e a CFMoto pode estar envolvida nisso, pois, de momento, o mercado chinês é o maior mercado de motas do mundo e lidera a produção mundial de motas até à data. Os seus preços competitivos e bastante acessíveis, aliados a tecnologias recentes, ditam o rumo do mercado, e o diretor desportivo da Dorna, Carmelo Ezpeleta, fez uma breve visita a Xangai de modo a tentar acelerar as negociações para uma entrada do MotoGP da China no calendário de 2027.
Os chineses lideram na produção de motas elétricas
O Grande Prémio da China é recordado com saudade, pois o icónico traçado de Xangai foi palco de momentos inesquecíveis, com lendas como Valentino Rossi, Dani Pedrosa e Casey Stoner.
O piloto italiano Valentino Rossi venceu a primeira edição do GP da China, em 2005, numa corrida que foi marcada por muita chuva. Na volta de cooldown, houve uma invasão de pista no exterior da curva 2, e Rossi festejou com os fãs junto à pista.
Já em 2006 aconteceu a primeira vitória do espanhol Dani Pedrosa, que tinha saído da pole position no MotoGP. A corrida de domingo foi em piso seco, mas o início do fim de semana, tal como em 2005, foi chuvoso. Nicky Hayden e Colin Edwards (que acabou em 3.º apesar de uma queda enquanto liderava) fecharam o pódio nesse ano.
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Em 2007, Casey Stoner, na sua Ducati, mostrava que, na reta da meta, o motor italiano não tinha adversário à altura. A Yamaha de Rossi não conseguia acompanhar Stoner nas longas retas do traçado chinês. De notar que, nesse ano, houve imensas queixas — a principal era que a pista não era adequada para competições de motociclos, mas apenas de carros —, embora a era dos 800cc ainda proporcionasse boas e emocionantes corridas.
Em 2008, Valentino Rossi vencia o GP da China. Esta corrida foi a primeira vitória do piloto italiano na época de 2008. Para isso contou com a ajuda das novas configurações do motor da sua mota e também dos novos pneus da Bridgestone. Rossi conseguiu compreender como a nova borracha se comportava na pista, e isso foi um fator decisivo para a conquista do GP da China. A corrida começou com uma pista molhada, ainda a secar, com a maior parte dos pilotos a iniciar a corrida com slicks. A fechar o pódio ficaram o seu colega de equipa Colin Edwards e Dani Pedrosa.
A CFMoto e o futuro da empresa no MotoGP
Diz-se, no meio jornalístico, que a CFMoto está a trabalhar com muito afinco nos bastidores para que este Grande Prémio aconteça. De notar também que existem bastantes rumores de que a CFMoto irá adquirir a KTM e usar as RC16 com a marca CFMoto. Em relação ao contrato com a Red Bull, não é certo como se irão resolver essas situações.
A compra da KTM por parte da CFMoto pode ser uma boa solução para ambas as empresas, pois é de conhecimento geral que a CFMoto gostaria de ter a sua marca não apenas no Moto2 e Moto3 (atualmente designada como CFMOTO Aspar Racing Team).

O novo V4 da CFMoto no EICMA de 2025
A CFMoto surpreendeu tudo e todos ao revelar o protótipo da futura mota superdesportiva V4 SR-RR de 1000cc, com mais de 210 cavalos. Esta revelação pode ser mais uma “ponta do véu” a ser levantada, pois as intenções da CFMoto podem passar por desenvolver motores de 850cc, de acordo com as novas regulamentações que vão ser implementadas no MotoGP em 2027.
Ao que parece, a empresa chinesa, com sede em Hangzhou, está mesmo disposta a competir diretamente com as marcas nipónicas e europeias. Se realmente essa for a intenção do colosso fabricante, o campeonato de MotoGP tem bastante a ganhar, pois mais um fabricante significa mais variedade — ainda mais por ser chinês!
MotoGP na China a longo prazo
Quer para a Dorna, quer para a Liberty Media, a ideia nesta parceria seria um contrato de longa duração, com mais de três anos, para viabilizar o investimento financeiro que os organizadores vão ter de fazer, pois organizar um evento desta natureza requer muita mão de obra humana e muita logística, quer no transporte dos materiais, quer na gestão das pessoas que vão estar a trabalhar nesse fim de semana.
Esta parceria com o governo chinês faz parte da expansão em que a Dorna tem vindo a trabalhar fortemente. Nessa expansão de mercados estão a Índia e, recentemente, a China, como alvos a explorar.
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Em cima da mesa — e atenção que é meramente especulativo — pode estar também a subida de um piloto de origem chinesa ao MotoGP, ou mesmo asiático, como aconteceu na Fórmula 1 com o chinês Zhou Guanyu.
A verdade é que, ao fazer esta aposta, a Dorna tem perspetivas de que o mercado chinês pode ser um bom investimento para o futuro e, assim, marcar presença em mais um território asiático. Existe realmente um mercado a ser conquistado na China, e pode ser um ponto de entrada para um futuro piloto chinês.

Sobre o Autor
Osvaldo Figueiredo é o pseudônimo do fundador do PneusQuentes.pt . Apaixonado por MotoGP, Fórmula 1 e desporto motorizado, combina experiência jornalística com conhecimento em engenharia e estratégia de corridas, oferecendo análises detalhadas e notícias confiáveis para fãs de automobilismo.




