
O estado das Superbikes em Portugal: preços, circuitos e oportunidades perdidas.
Introdução
Portugal recebe duas rondas do Mundial de Superbikes — Estoril e Portimão — mas ainda assim o campeonato passa despercebido para grande parte do público. Isto acontece por várias razões: preços, falta de publicidade, circuitos com problemas e ausência de uma estratégia clara.
1. Bilhetes mais acessíveis… mas pouco divulgados
Os bilhetes custam praticamente metade do MotoGP, o que podia ser uma oportunidade de ouro para aumentar público.
Mas a maioria das pessoas nem sabe que o campeonato passa pelo Estoril ou Portimão e vai passar em direto na televisão na SPORTV e na EUROSPORT.
2. O problema do Estoril
- Infraestruturas desgastadas: Desde o aspeto geral dos parques de estacionamento para os visitantes até aos espetadores subirem às bancadas é notória a falta de investimento no ambiente envolvente. De momento o asfalto está em boas condições pois sofreu intervenções perto de 2018.
- Bancadas e boxes com sinais de abandono: Claras melhorias podem ser implementadas. É necessário pintar as bancadas com os tons míticos em azul e branco do traçado e reparar o estado geral do PitLane e das boxes.
- Tamanho do parque que liga ao paddock: É uma realidade que o parque atrás das boxes já se torna pequeno para acolher um evento desta natureza e neste momento é pequeno para acomodar por exemplo um campeonato como o MotoGP. Com a entrada e futuros investimentos da Liberty Media este circuito irá precisar de uma forte remodelação.
- Pouca modernização: No que toca à modernização, o circuito já tem painéis LED’s na pista, mas é possível melhorar mais ainda. O centro de imprensa e controlo de corrida também beneficiam se houvesse um aumento de melhorias.
- Sistema de luzes LED noturno: Uma bela adição, mas de orçamento elevado que poderia atrair mais eventos para o circuito.
3. Portimão: melhor, mas não perfeito
O circuito costuma atrair muitos espanhóis e turistas de modo geral, graças às belas praias e pontos de intresse em geral, como a vida noturna. Mas, segundo relatos de alguns jornalistas de renome como Stephen Howson do Paddock Podcast , revelaram que o circuito Internacional do Algarve nos últimos anos perdeu algum brilho.
Relatos de falhas de energia e problemas com Wi-Fi no media room onde os jornalistas trabalham mostram que há trabalho por fazer.
4. A esperança em Miguel Oliveira
Miguel Oliveira pode ser uma figura decisiva para dar visibilidade às WSBK em Portugal.
Se houver uma boa campanha, é possível encher os dois circuitos — mas é preciso que a divulgação deste evento seja séria e feita com profissionalismo, não apenas notas de imprensa perdidas.
É necessário cativar futuros fãs para o circuito e que sintam que o valor do bilhete valha o que é pedido.
5. As soluções possíveis
- Mais publicidade nacional: Quer seja on-line ou pelos meios de comunicação tradicionais
- Acordos televisivos mais fortes: Porque não um investimento público, como a RTP para passar uma corrida, como a SuperPole por exemplo. Poderia atrair publico para ir ver a corrida no Domingo.
- Presença online mais ativa: Puxar o lado mais emotivo nas redes sociais, como o facebook e instagram.
- Trazer personalidades ao paddock : Tal como fez a Formula 1 atrair este tipo de celebridades e dar-lhes um local VIP e oferecer condições de luxo para assistir às corridas pois não é emoção que tem que ser fornecida, a hospitalidade e a maneira de receber fazem parte do pack completo para uma boa experiência. Com isto os convidados voltam para o ano e ajudam a divulgar o evento.
- Criar histórias em torno dos pilotos : Deve-se criar histórias acerca das rivalidades e explorar o lado humano. O espetador vai procurar saber mais informações sobre os pilotos e o seu modo de vida ao invés de saber quem vai ganhar o campeonato. Tudo se trata acerca de capturar emoções reais e explorar esse lado.
- Modernizar circuitos para melhorar a experiência: Aqui devem estar Fans zones, com espetáculos e musica ao vivo. Uma pequena exposição sobre o mundial e quem foram os seus pioneiros e recentes campeões ajudava bastante aos primeiros visitantes do Estoril entenderem melhor a história do circuito e do campeonato das Superbikes.

O circuito do Estoril precisa de mais atenção
É um facto, o circuito do Estoril tem vindo a perder a sua essência e desde Agosto de 2025 os trackdays foram mesmo proibidos!
Uma pena pois muita gente procurava fazer trackdays no Estoril.
A camara municipal de Cascais queria pegar no projeto, mas não à nada oficial que indique que irá acontece num futuro próximo.
Conclusão
As Superbikes têm potencial enorme em Portugal, mas falta estratégia, modernização e comunicação. Se houver investimento, podem tornar-se um dos eventos mais fortes do calendário português.
O Estoril só recupera o seu brilho se unir experiência, história e emoção. Com mais promoção, modernização do circuito e atenção ao público, desde fãs a celebridades, o evento deixa de ser apenas uma corrida e torna-se uma experiência memorável, capaz de atrair novos espectadores e revitalizar o legado das Superbikes em Portugal.

Sobre o Autor
Osvaldo Figueiredo é o pseudônimo do fundador do PneusQuentes.pt . Apaixonado por MotoGP, Fórmula 1 e desporto motorizado, combina experiência jornalística com conhecimento em engenharia e estratégia de corridas, oferecendo análises detalhadas e notícias confiáveis para fãs de automobilismo.





