Introdução
Os rumores sobre Tsunoda tinham fundo de verdade. Tsunoda está fora da F1! O piloto está mesmo de saída da mais prestigiada competição automóvel. O japonês vai assumir o cargo de piloto de testes e piloto de reserva para a Red Bull Racing num ano crucial, em que vão haver algumas alterações nos monolugares.
Mudanças para 2026 e como Tsunoda pode ajudar a equipa
Ele vai ajudar a equipa de engenheiros no simulador da Red Bull Racing a encontrar as melhores definições para cada sessão, para que Verstappen e Hadjar consigam ser competitivos em pista em condições reais. É nestes simuladores que grande parte das equipas conseguem encontrar os pequenos detalhes e configurações gerais para determinado circuito, ou parte do traçado, como uma curva ou recta.
Na vida real, também vai ajudar imenso a equipa, pois o japonês tem experiência real no carro de 2025 e não apenas testes em TPC (Test Previous Cars).

Alterações do regulamento para 2026
Em 2026 entram as esperadas novas regulamentações. Tsunoda que já mostrou que é rápido, tem nas mãos uma verdadeira oportunidade de ajudar a RedBull dar o passo seguinte na busca de mais velocidade e estabilidade. O monolugar de Verstappen e Hajdar precisa de melhorias para poder competir com a Mclaren para o ano que vem.
A largura e comprimento dos monolugares vão ser reduzidos em cerca de 5% numa tentativa de travar o aumento dos carros para que consigam continuar a competir em pistas estreitas como o traçado do Mónaco. Os monolugares irão ficar também mais leves, com uma redução de cerca de 30 Kg.
É também o fim do famoso sistema de DRS, e irá ser implementado um sistema ativo. No inicio de Janeiro de 2026 iremos a aprofundar este tema .
Nunca teve performance igual ao seu companheiro de equipa Verstappen
A falta de competitividade em comparação ao neerlandês foi notória durante toda a temporada. O japonês, em média na qualificação — onde se vê em mais detalhe a velocidade dos pilotos com o mesmo carro, o mesmo conjunto de compostos de pneus e o mesmo tempo em pista — ficou sempre atrás.
Ao fazer uma média da temporada, em ambiente de qualificação, Tsunoda foi sempre cerca de 0,300 segundos mais lento. Ele foi consistente, mas nunca tão ou mais rápido do que Verstappen com o mesmo carro.
A subida de Isack Hadjar da Racing Bulls para fazer parelha com Verstappen significa que fica um lugar vazio na equipa da Racing Bulls. Para ser colega de equipa de Liam Lawson foi escolhido o jovem piloto britânico Arvid Lindblad, que até à presente data tem residência permanente em Portugal.
Quem é Arvid Lindblad?
O jovem britânico de 18 anos, que faz a sua estreia na Fórmula 1 a tempo inteiro, está atualmente a competir na Fórmula 2 e é o 6.º classificado nesse campeonato.
Apesar de não estar perto do top 5 no seu campeonato, a equipa da Red Bull dá um enorme sinal de confiança ao britânico e coloca-o num carro que já provou ser competitivo por diversas vezes nas mãos de outros pilotos. É importante também salientar que Lindblad apenas fez um ano completo de competição na F2, tendo entrado oficialmente em setembro de 2024 na equipa.
Contactos com monolugares de Fórmula 1
Teste no FP1 da Grã-Bretanha
O piloto britânico fez o Treino Livre 1 e, curiosamente, quem ficou a assistir no pit lane foi o japonês Yuki Tsunoda. A Fórmula 1 tem uma regra nos regulamentos que determina que tem de ser dado lugar a um rookie durante a temporada num Grande Prémio à escolha das equipas. O objetivo é garantir o futuro e permitir que os pilotos ganhem pontos nas superlicenças.
Em fevereiro de 2025, já tinha tido contacto com o AlphaTauri AT04, um carro de 2023 que faz parte do programa de TPC, no circuito italiano de Imola.
Outros fatores para a falta de performance
Apesar de ambos os pilotos terem o mesmo carro, pode haver outros motivos ocultos para que os resultados de Tsunoda não tenham sido tão bons quanto os de Verstappen.
Os limites de gastos para cada equipa podem ter influência na produção de peças, tempo no simulador e túnel de vento. Naturalmente, Verstappen tem prioridade nestas peças e ensaios mais recentes, pois é o piloto com mais performance e, afinal, o atual campeão.
Tsunoda certamente tentou de tudo: adaptar-se às configurações de Verstappen e usar as suas configurações preferidas, mas é claro que nenhuma destas combinações resultou para que os resultados aparecessem. Principalmente, o problema de Tsunoda era que o piloto até começava bem os treinos livres, mas a sua performance ia decrescendo quando era necessário encontrar pequenas afinações, ajustes ou técnicas de pilotagem diferentes que o carro precisava que fossem aplicadas.
Contudo, não é um adeus definitivo, e a prova disso é Pérez, que após sair da Red Bull conseguiu um contrato com a Cadillac para 2026.
Conclusão
A saída de Tsunoda da grelha principal pode parecer um passo atrás, mas na verdade abre uma nova fase na sua carreira. O japonês continua dentro da estrutura da Red Bull e vai ter um papel importante no desenvolvimento dos carros num ano cheio de mudanças. Ao mesmo tempo, a promoção de Hadjar e a chegada de Lindblad mostram que a equipa está a apostar forte no futuro e a renovar a sua formação de pilotos com sangue novo e talento comprovado.
Resta agora perceber como cada peça vai encaixar em 2026, mas uma coisa é certa: Tsunoda não está acabado. Continua a ter o seu valor dentro da equipa e, como já vimos noutras histórias do paddock, as oportunidades na Fórmula 1 aparecem quando menos se espera.

Sobre o Autor
Osvaldo Figueiredo é o pseudónimo do fundador do PneusQuentes.pt . Apaixonado por MotoGP, Fórmula 1 e desporto motorizado, combina experiência jornalística com conhecimento em engenharia e estratégia de corridas, oferecendo análises detalhadas e notícias confiáveis para fãs de automobilismo.




