
Com a saída de Miguel Oliveira do MotoGP, o piloto prepara-se agora para enfrentar um novo desafio na sua longa carreira como piloto profissional: as Superbikes em 2026
Foi uma despedida emotiva para Oliveira e para a sua família no circuito do Algarve e houve uma verdadeira romaria ao circuito para ver uma última vez o Português na categoria máxima do desporto de duas rodas.
Antes da corrida o MotoGP permitiu a despedida de Oliveira em que a sua mulher Andreia e os seus dois filhos se juntaram na pista numa cerimonia em que deixou todos presentes emocionados.
O Miguel já nas declarações após a corrida, afirmou que foi difícil gerir as emoções depois daquele momento mesmo antes da corrida começar.
Em Valência, foi a sua última verdadeira corrida como piloto a tempo inteiro no MotoGP e despediu-se com um emocionante burnout em frente à box da Prima Pramac. Com as emoções em alta e com a sua família presente fica na memoria de todos nós que Portugal tem talento e que pode ambicionar voos altos no desporto motorizado.
Longo histórico de lesões
Miguel Oliveira, tal como grande parte do pelotão, leva uma vida de lesões e operações, mas a mais marcante foi a que aconteceu na primeira Sprint de sempre em 2023, na qual foi abalroado por Marc Marquez no GP de Portugal, e a época ficou desde cedo comprometida.
A sua falta de sorte, aliada a uma grande” atração” por parte dos seus adversários que provocaram contactos e quedas desnecessárias em ambiente de corrida condicionou bastante o seu campeonato .Grande parte foram incidentes de corrida, mas mesmo assim, fica para a história o grande azar que Oliveira teve no MotoGP.
Breve resumo da sua passagem pelo MotoGP
2019 – 2020 – Tech 3
Corria o ano de 2019 quando 4 grandes nomes subiam à categoria rainha: Pecco Bagnaia, Fábio Quartararo, Mir e Oliveira. Até à data o Português foi o único que não conseguiu vencer um titulo mundial.
Porém, em 2019 a época não correu mal ao piloto da Charneca da Caparica como rookie, ao terminar a temporada em 17º lugar.
Em 2020 aconteceu a histórica vitória no Grande Prémio da Estíria (Styrian GP) e a Tech 3 celebrava a sua primeira vitória em MotoGP desde que entrou em 2001. No mesmo ano terminou em 1º lugar no GP de Portugal, num evento sem público devido à pandemia da COVID-19.
Nesse ano a KTM sofria bastante no que toca a aderência do pneu traseiro e com as configurações do chassis que simplesmente não funcionavam.
2020 terminou em 9º lugar, o que é até agora a sua melhor temporada de sempre no MotoGP.
2021 – 2022 – Red Bull KTM Factory Racing
Com a total confiança da equipa da KTM, Oliveira naturalmente subiu para piloto de fábrica e com isso trouxe também a responsabilidade de apresentar resultados, esses que teimavam a não aparecer.
A mota sofria bastante com falta de aderência, problemas que não conseguiam ser resolvidos. Nesse ano a mota da KTM tinha uma grande preferência pelo composto mais duro à frente e quando a pista não permitia o uso do composto preferido da mota, as vibrações apareciam o que eram muito prejudiciais para os pilotos.
O chassi não permitia o piloto fazer uma boa gestão dos pneus e por isso a mota perdia rapidamente a performance desejada a meio das corridas.
Em 2021, apesar dá má performance da KTM, ainda teve alguns pontos altos e parecia que os problemas estavam resolvidos e chegou mesmo ganhar o Grande Prémio da Catalunha, apesar da grande pressão de Zarco nas últimas voltas do GP.
Terminou a em 2022 em 10º lugar, e não foi renovado o contrato com a KTM.
2023 – CryptoDATA Aprilia RNF
Num negócio pouco claro e com muitas dúvidas entre a Dorna e a nova equipa satélite da Aprilia, a Aprilia RNF era a última carta disponível para Oliveira se manter no MotoGP.
Infelizmente Oliveira devido a lesões só fez 16 de 20 corridas e grande parte delas com a lesão ainda bastante presente e não totalmente recuperada.
2024 – Trackhouse Racing
O gigante americano da Nascar detido pelo milionário norte-americano Justin Marks adquiriu a equipa da antiga RNF e tentou explorar o mercado do MotoGP, mas sem muito sucesso.
Oliveira terminou o campeonato em 15º lugar e apenas competiu em 16 das 20 corridas devido à sua lesão no GP da Indonésia em mais uma temporada bastante condicionada devido a lesões.
2025 – Prima Pramac Racing
A ambição era muita no inicio, afinal Jorge Martin venceu o campeonato numa equipa satélite da Ducati (com uma mota de fábrica da Ducati).
No entanto equipa assinou para competir com maquinaria da Yamaha e não Ducati. Como é natural, houve muito pessoal que trabalhava que não se manteve e a equipa sofreu muitas alterações com saídas importantes no seu staff.
Mas como muitos jornalistas previam, a falta de competitividade das motas da Yamaha mostrou a suas fraquezas e os dos quatro pilotos Yamaha, apenas Quartararo conseguia extrair o potencial da mota.
Assim, terminou a sua última temporada num 20º lugar.
Resumo da Carreira de Miguel Oliveira no MotoGP
| Época | Equipa | Moto | Melhor Resultado | Classificação Final |
| 2019 | Tech 3 | KTM | 8º (Áustria) | 17º |
| 2020 | Tech 3 | KTM | Vencedor (Estíria e Portugal) | 9º |
| 2021 | Red Bull KTM | KTM | Vencedor (Catalunha) | 14º |
| 2022 | Red Bull KTM | KTM | Vencedor (Indonésia e Tailândia) | 10º |
| 2023 | RNF Aprilia | Aprilia | 4º (Grã-Bretanha) | 16º |
| 2024 | Trackhouse | Aprilia | 2º (Sprint Alemanha) | 15º |
| 2025 | Prima Pramac | Yamaha | 12º (Melhor posição) | 20º |
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A expectativa falhada da Trackhouse
Foi muita a esperança que os fãs Portugueses tinham depositado na Trackhouse. Naquela altura a mota da Aprilia mostrava bons resultados e era o passo natural o fabricante italiano colocar quatro motas na pista, para continuar a evoluir a sua mota.
Aleix Espargaró e Maverick Viñales mostravam que a Aprilia estava a evoluir e isso chamou a atenção da Trackhouse, que já tinha a ideia de adquirir uma equipa de MotoGP há alguns anos.
Na altura era a melhor jogada para Oliveira pois já havia poucos lugares na grelha disponíveis, mas havia também rumores para correr pela Honda, o que não se veio a concretizar.
Contudo, a falta de profissionalismo da equipa aliada à má performance das motos, não foi possível para o Miguel obter bons resultados nesses anos.
Não podemos esquecer que foi o primeiro ano da Trackhouse no MotoGP e está a ser difícil encontrar o seu espaço. É preciso tempo e dedicação, só dinheiro não chega.
Ambições para 2026
O piloto Português já participou nos teste de pós temporada em Novembro de 2025 nas Superbikes no testes privados de Jerez.
O objetivo deste teste foi adaptar-se pois nunca teve contacto com esta categoria. A adaptação à mota é importante, mas em cima da mesa estava principalmente a crucial adaptação à borracha da Pirelli.
Os três pilotos rookies presentes nos testes privados em Jerez de Novembro, incluindo Miguel Oliveira competiram durante muitos anos com borracha de Michellin e decifrar estes novos compostos pode ser um desafio para ele.
Acreditamos que o Miguel não andou realmente à procura de um tempo por volta nesse teste, pois para isso é necessários mais quilómetros em cima da mota.
O Oliveira é altamente cotado, ao lado do italiano Bulega a ser candidato ao titulo para a temporada de 2026 das WSbk e não somos só nos que o dizemos, a equipa do Paddock Podcast também acha o mesmo, pois Oliveira tem a equipa vencedora e todas as ferramentas para vencer o campeonato como estreante já em 2026.
Impacto para o motociclismo em Portugal
É um tremendo abanão para o desporto Português a saída do Miguel do MotoGP e sem perspetivas de um futuro próximo o nosso pais não ser representado no MotoGP nem na Formula 1.
Certamente existem alguns pilotos que futuramente poderão alcançar, tal como Ivan Franco Domingues que atualmente compete na F3 ou o Martim Marco e Afonso Almeida, promissores talentos do motociclismo nacional.
Palavra de apreço para o Ivo Lopes que atualmente compete no competitivo campeonato espanhol e para o mecânico Português Vítor Neves que é bicampeão do mundo no WorldSBK com a equipa da ROKiT BMW Motorrad WorldSBK Team e que a nossa equipa desde já dá os parabéns pelo esforço e por elevarem o nome de Portugal ao mais alto nível.
Acreditas que o Miguel Oliveira voltará ao MotoGP em 2027 ou este é o adeus definitivo?
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Sobre o Autor
Osvaldo Figueiredo é o pseudónimo do fundador do PneusQuentes.pt . Apaixonado por MotoGP, Fórmula 1 e desporto motorizado, combina experiência jornalística com conhecimento em engenharia e estratégia de corridas, oferecendo análises detalhadas e notícias confiáveis para fãs de automobilismo.




