Guia Completo sobre o Modo Reta e Modo Curva

Que confusão! E até mesmo para mim que falo diariamente sobre este assunto, mas vou desmistificar isto da Aerodinâmica Ativa F1 em 2026
A aerodinâmica ativa vai mesmo chegar já em 2026 e os novos regulamentos já estão publicados e já cobrimos esse tema neste site!
Mas o que isto significa na realidade e em termos práticos? Não te percas no assunto.
Falta ainda decidir a terminologia usada durante as transmissões, ou seja, o que vai ser chamado ao quê!
Para mim neste momento o mais fácil é : Modo Reta e o Modo curva e é assim que irei abordar este tema.
Aerodinâmica Ativa – O que é?
Simplesmente cada asa ( traseira e dianteira ) vai ter duas posições:
- Asa completamente aberta (Modo Reta): um pouco semelhante ao DRS, em que a asa “baixa” permitindo ao carro alcançar velocidades mais altas, pois o downforce vai ser menor.
- Asa completamente fechada (Modo Curva): Quando a asa está fechada esta vai a posição normal e será assim que os carros vão sair da via das boxes para a pista. Esta posição é a que permite mais downforce e curvar com mais velocidade. Assumo que será a definição standard, quando os carros tiverem na grelha.
| Asa | Posição da Asa | Modo | Funcionamento | Efeito no Carro |
|---|---|---|---|---|
| Asa dianteira | Completamente aberta | MODO RETA | A asa “baixa”, semelhante ao DRS, Reduz o arrasto aerodinâmico | Menor resistência ao ar, maior velocidade em reta e velocidade máxima |
| Asa dianteira | Completamente fechada | MODO CURVA | Posição normal usada ao sair das boxes, posição em curvas no geral | Maior downforce, melhor aderência em curva e com mais velocidade |
Com estes dois assuntos arrumados ficamos com a questão: ” E se estiver a chover?“
Impacto da chuva na corrida
Se o clima estiver instável (chuva / vento forte) vamos certamente ver a direção de corrida a intervir, tal como acontecia com o DRS.
Eis o que ninguém ainda falou sobre este tema – em que posição irão estar as asas nesse momento?
Para mim o mais natural é existirem duas opções, mas a FIA pode alterar os regulamentos juntamente com as equipas e optar por outra opção.
Exemplo prático
Se estiver a chover a direção de corrida pode bloquear as configurações o MODO CURVA, (standard). Os carros vai ter imensa aderência pois este é o modo que gera mais downforce e obriga o carro a estar colado ao chão.
É expectável que, para segurança dos pilotos, o MODO RETA seja desativado pela direção de corrida, tal como acontecia com o DRS. Esta é a opção mais simples de aplicar e em termos gerais é assim que vai funcionar a Aerodinâmica Ativa F1 em 2026
Problemas do MODO CURVA:
- Corrida declarada como seca: Devido ao excesso de downforce, digamos numa corrida declarada como seca, se chove a meio da corrida podem ocorrer desgastes excessivos na prancha se a direção de corrida intervir e bloquear os carros no MODO CURVA. Graças a estes desgastes tivemos em 2025 ambos carros da McLaren desqualificados.
- Corrida declarada molhada: podemos assumir que os carros irão ficar um pouco mais instáveis e lentos se a pista secar e trocarem para o composto slick a meio da corrida.
O grande problema irá ser nas longas retas quando o MODO RETA for desativado, pois os carros irão rodar sempre em MODO CURVA. Resumindo, os carros irão raspar bastante no chão.
Vimos em épocas passadas e até Max Verstappen falou disto recentemente no podcast “Talking Bulls”, em que o piloto referiu que em certas curvas as forças G verticais atingiram 1G quando passavam em corretores/zebras.
Um esforço enorme para a coluna e pescoço dos pilotos.
Cabe a cada equipa avaliar bem os riscos e tornar o carro mais eficaz possível para evitar dissabores (desqualificação) no pós corrida.
Podes ouvir o Podcast neste link, ou aqui mesmo.
A minha opinião
Depois de pensar sobre o assunto, uma das soluções pode passar por usar um meio termo.
E é aí que entra a minha segunda opção: é expectável que exista um modo mais híbrido!
Voltando ao exemplo da corrida declarada como molhada as equipas poderiam usar a seguinte configuração:
| Asa | Modo |
|---|---|
| Asa dianteira | MODO RETA |
| Asa traseira | MODO CURVA |
Com estas definições, a traseira vai ter downforce em curva, porém os pilotos vão sentir que a frente não está “colada” ao chão.
Com esta solução, os problemas que falei acima, a placa que controla a altura do solo, não iria ter tanto desgaste e consequente possível desqualificação.
Melhor que texto, só mesmo vídeo!
Neste vídeo o tema é a abordagem como entender o que te falei acima, o MODO RETA e o MODO CURVA. Quando vires este vídeo agora saberás exatamente do que estou a falar e estás completamente informado!
Grafismo na TV
Uma curiosidade imensa que tenho vai ser como os comentadores vão explicar estas novas introduções no regulamento ao espetador mais novo e ao mais antigo.
E também como será o novo grafismo, pois vamos ter o modo do género push-to-pass, em que o piloto ( que vem a perseguir) quando está a um segundo do piloto da frente pode ativar toda a energia do motor elétrico.
Esse grafismo certamente vai ser substituído pelo DRS e será algo simples e fácil de entender.
Mas o mais difícil vai ser mostrar em que MODO está cada piloto em pista. Vamos mesmo ter que aguardar até aos testes pré temporada do Bahrein de 11 a 13 de fevereiro, e um segundo teste no Bahrein de 18 a 20 de fevereiro.
Conclusão
A introdução da aerodinâmica ativa em 2026 representa uma das maiores mudanças técnicas da Fórmula 1 dos últimos anos.
Apesar de o conceito parecer simples à primeira vista, as implicações práticas — especialmente em condições meteorológicas variáveis — levantam desafios importantes tanto para as equipas como para a direção de corrida. A gestão do downforce, do desgaste da prancha e da segurança dos pilotos vai obrigar a decisões estratégicas cuidadosas e, possivelmente, a soluções intermédias que ainda não estão previstas nos regulamentos atuais.
Só com os testes de pré-temporada será possível perceber como estas soluções funcionam na prática, bem como a forma como a FIA irá gerir os diferentes cenários de corrida. Uma coisa é certa: a aerodinâmica ativa vai mudar a forma como os carros são afinados, como se corre e como o público acompanha a ação em pista, marcando um novo capítulo na evolução da Fórmula 1.
Vamos ver nos testes do Bahrein como realmente vai funcionar a aerodinâmica ativa F1 em 2026.

Sobre o Autor
Osvaldo Figueiredo é o pseudónimo do fundador do PneusQuentes.pt . Apaixonado por MotoGP, Fórmula 1 e desporto motorizado, combina experiência jornalística com conhecimento em engenharia e estratégia de corridas, oferecendo análises detalhadas e notícias confiáveis para fãs de automobilismo.




