
A notícia caiu como uma bomba no paddock: Phillip Island será excluída dos futuros calendários do MotoGP.
A partir de 2027, o GP da Austrália terá uma nova casa: o Adelaide Street Circuit, em pleno coração da cidade.
É uma das grandes mudanças e arrisco mesmo a dizer que é uma nova era no que toca ao desenvolvimento e planeamento além das já conhecidas alterações ao regulamento de 2027 com a introdução dos motores 850cc.
Para entendermos as reais razões desta mudança drástica, vamos analisar os factos e responder às perguntas mais difíceis que os fãs colocam neste momento.
É realmente um circuito citadino?
Tecnicamente, sim, por estar inserido num ambiente urbano.
Contudo, o MotoGP não vai utilizar os mesmos princípios de segurança da Fórmula 1.
Para obter a complexa homologação da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), o traçado passará por obras profundas.
Serão criadas escapatórias específicas e veremos a utilização massiva de air-fences (almofadas de ar) no final das grandes retas e muitos mais pormenores para o circuito obter a exigente homologação da FIM de Grau “A”.
Aleix Espargaró, habitualmente um dos maiores críticos da falta de segurança, surpreendeu ao mostrar-se otimista, afirmando que, com o plano de segurança atual, o circuito poderá ser bastante seguro para as motas.
Jack Miller, o herói local, também comentou a mudança durante a apresentação oficial: “É uma perda enorme ver Phillip Island sair do calendário, é um traçado mítico, mas o futuro é este e vejo-o com bons olhos.”
A degradação e a falta de investimento em Phillip IslandPhillip Island é um local histórico (o traçado remonta a 1956), mas a história não paga as contas.
Atualmente, as instalações estão muito degradadas. Com mais de 20 anos sem renovações profundas, o paddock sofre com comodidades ultrapassadas para jornalistas e infraestruturas sanitárias insuficientes.
É uma situação que nos faz lembrar o “nosso” Autódromo do Estoril: um traçado que todos amam, mas onde o investimento necessário para os padrões atuais do MotoGP é colossal.
A porta não está totalmente fechada para o futuro, mas o regresso de Phillip Island dependeria sempre de um investimento massivo e de uma alteração da data para o verão austral, onde o clima é mais estável.
O problema logístico: Onde está o público?
Adelaide resolve um dos maiores problemas de Phillip Island: a acessibilidade.
Distância: Chegar a Phillip Island implica uma viagem de cerca de 150 km a partir de Melbourne.
Conforto: Obrigar um espectador casual a este esforço financeiro e físico, para depois ficar exposto a ventos ciclónicos, chuva e instalações antigas, é uma “venda” difícil.
Em Adelaide, o GP vai ao encontro das pessoas. O evento acontece na cidade, com transportes, hotéis e toda a conveniência urbana à porta.
Contudo existe o fã “hardcore”, que vai a Phillip Island nem que chova picaretas.
Mas o patrocinador quer o publico casual que tem capacidade financeira de gastar 500€ num bilhete VIP e quer jantar num restaurante de 5 estrelas no centro da cidade após a Sprint Race.
Já para não falar que ver motas a passar a mais de 340 km/h com o skylyne da cidade como fundo gera imagens virais, atrai patrocinadores de luxo e vende o desporto para quem nunca assistiu a uma corrida de motas.
A “Mão” da Liberty Media e a nova visão do futuro

Antigamente, a visão era construir circuitos longe dos centros para agitar a economia local (como o exemplo de Aragão, em Espanha, construído “no meio do nada”).
A visão atual é o oposto: criar megaeventos em grandes metrópoles.
O exemplo mais recente vem da Fórmula 1, com o GP de Espanha a mudar-se para Madrid num traçado que combina partes permanentes com ruas da cidade.
Esta é uma fórmula que tem gerado receitas recorde. Não podemos ignorar que este passo parece ter a “mão” da Liberty Media.
Como novos proprietários do MotoGP, eles procuram o retorno do investimento o mais rápido possível. Só criando espetáculos de massas, com fácil acesso e grande exposição mediática, conseguirão atingir esses objetivos.
O fator Clima: O inimigo invisível
Phillip Island em outubro é uma roleta russa.
O vento e a chuva não são apenas desagradáveis para o público; são perigosos para os pilotos.
O spray levantado pelas motas a alta velocidade num traçado tão rápido torna a visibilidade quase nula. Em Adelaide, o clima urbano tende a ser menos extremo, facilitando a gestão da prova pela direção de corrida.
Conclusão: Uma tendência inevitável?
A tendência atual parece ser clara: é o desporto que vai ao encontro do público, e não o contrário.
Se esta mudança de ADN é certa ou errada para a essência do motociclismo, só o tempo (e as bancadas cheias) o dirá.
Já tínhamos coberto esta polémica quando Carmelo Ezpeleta disse em entrevista ao MotoGP que o MotoGP pode adaptar-se sem grandes problemas e pode competir, por exemplo, em Las Vegas.
Carmelo na altura afirmou que era uma questão de adicionar escapatórias maiores, mas o problema não é tão simples de resolver.
Portanto não causa tanto choque esta novidade, pois os responsáveis máximos já vinham desde à algum tempo a preparar esta transição.
E, após esta revelação, é bastante provável que daqui a 3 anos, ou menos, existam mais noticias em que novos traçados citadinos sejam incluídos no calendário.
E tu, preferes o charme clássico de Phillip Island ou a conveniência de um GP citadino em Adelaide? Deixa a tua opinião na caixa de comentários!






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