F1 GP da China 2026: Antonelli vence corrida louca marcada por “Guerra Civil” na Ferrari e desastre na McLaren


SHANGHAI, CHINA - MARCH 14: Isack Hadjar of France driving the (6) Oracle Red Bull Racing RB22 Red Bull Ford on track during qualifying ahead of the F1 Grand Prix of China at Shanghai International Circuit on March 14, 2026 in Shanghai, China.
(Photo by Guido De Bortoli/LAT Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202603140328 // Usage for editorial use only //

​O fim de semana de Fórmula 1 já arrancou no imponente traçado de Xangai. Com o regresso do formato Sprint, pilotos e engenheiros tiveram apenas uma hora de treinos livres na sexta-feira para afinar as novas máquinas de 2026.

​Apesar do tempo escasso em pista, nota-se que as equipas já trazem na bagagem o conhecimento crucial recolhido na ronda inaugural em Melbourne.

A adaptação aos novos regulamentos está a evoluir, mas o traçado chinês já começou a fazer as suas vítimas e a revelar os verdadeiros favoritos.


O Grande Prémio da China de 2026 entregou tudo o que os fãs de Fórmula 1 poderiam desejar.

Se os novos regulamentos trouxeram dores de cabeça aos engenheiros com a gestão de energia, em pista o resultado é uma animação constante e batalhas intensas.

No final de 56 voltas de pura emoção em Xangai, a juventude falou mais alto: Kimi Antonelli venceu a corrida, liderando uma dobradinha da Mercedes com George Russell em segundo, enquanto Lewis Hamilton fechou o pódio no terceiro lugar após uma intensa luta interna na Ferrari.

O Arranque: Foguetes Vermelhos e o Pesadelo de Verstappen

Quando as luzes se apagaram, a Ferrari voltou a mostrar a sua arma secreta. Os monolugares de Maranello protagonizaram um autêntico “arranque canhão”, deixando a Mercedes literalmente parada na grelha. Um dos grandes segredos da Scuderia é a capacidade impressionante de colocar temperatura nos pneus duros muito mais rápido que a concorrência, o que torna os seus arranques e reinícios de corrida letais.

Mais atrás, o cenário era desolador para Max Verstappen. O neerlandês continua a debater-se com graves problemas no arranque, sendo notória a falta de performance inicial do Red Bull. A frustração de ver grande parte da grelha a passar por si culminou num erro logo nas voltas iniciais, quando Verstappen perdeu a frente do carro e entrou em despiste na Curva 1.

A primeira volta fez ainda mais vítimas. Na Cadillac, Sergio Pérez forçou um espaço que não existia na Curva 2, empurrando o seu colega de equipa, Valtteri Bottas, para fora da linha ideal e causando estragos em ambos os carros da estreante equipa americana. Contudo, o verdadeiro choque inicial veio da garagem da McLaren: ambos os carros nem sequer começaram a corrida devido a falhas no espetro elétrico, selando um fim de semana desastroso.


Safety Car e a Gestão de Pneus

Na volta 11, o motor do Aston Martin de Lance Stroll cedeu, obrigando o canadiano a parar em pista e motivando a entrada do Safety Car. Até este momento, o temido graining (desgaste abrasivo dos pneus) não era uma preocupação maior, e a maioria das equipas aproveitou a neutralização para ir às boxes colocar pneus novos, apontando a estratégia para apenas uma paragem.

No reinício, a ordem no Top 3 era surpreendente, com Kimi Antonelli na frente e um impressionante Franco Colapinto em destaque. O piloto argentino mostrou uma enorme maturidade; ciente de que a sua luta não era pelo pódio, demonstrou ainda assim um ritmo fortíssimo e inteligente quando a corrida foi retomada.

Tensão ao Rubro: A Guerra Civil na Ferrari

SHANGHAI, CHINA - MARCH 15: Liam Lawson of New Zealand driving the (30) Visa Cash App Racing Bulls VCARB 03 RB Ford leads Arvid Lindblad of Great Britain driving the (41) Visa Cash App Racing Bulls VCARB 03 RB Ford on track at the start during the F1 Grand Prix of China at Shanghai International Circuit on March 15, 2026 in Shanghai, China.
(Photo by James Sutton/LAT Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202603150332 // Usage for editorial use only //

O grande espetáculo da corrida desenrolou-se a partir da volta 17. Lewis Hamilton aproximou-se rapidamente do líder Antonelli e, apesar da necessidade de gerir a bateria, o britânico pedia constantemente mais potência à Ferrari para tentar a ultrapassagem.

Sem conseguir passar o Mercedes na volta 20, Hamilton acabou por trazer Charles Leclerc e George Russell para a mistura.

O que se seguiu fez os fãs da Ferrari suarem frio. Hamilton debatia-se visivelmente com a falta de aderência nos pneus traseiros, e a tensão interna explodiu na volta 26 com um pequeno contacto físico (troca de tinta!) entre os dois carros vermelhos. O drama adensou-se na volta 27, deixando claro que a direção da Ferrari liderada por Fred Vasseur ativou o modo “let them race” (deixá-los correr).

A falta de ordens de equipa para proteger o pódio era evidente. Nenhum dos pilotos queria ceder: Leclerc é o “filho da casa” há muitos anos, mas o múltiplo campeão Hamilton não foi para Maranello para prestar vassalagem.

Na volta 35, Hamilton queixou-se por duas vezes de falta de potência, mas a sorte sorriu-lhe quando Leclerc cometeu um erro crasso, perdendo o controlo do carro e entregando o 3º lugar a Hamilton. Lutas como esta podem sair caras nas contas do campeonato de construtores, mas para o desporto, foram momentos de ouro.


A Recuperação de Russell e o Susto de Antonelli

Enquanto a Ferrari lutava consigo própria, George Russell fazia uma corrida de mestre. Pela volta 20, os seus pneus ganharam nova vida.

O britânico fez uma gestão brilhante, queixando-se apenas de que a Ferrari era muito rápida “nos pontos certos” da pista. Foi apenas na volta 29 que Russell se conseguiu finalmente ver livre dos carros italianos, partindo à caça do seu colega de equipa, Kimi Antonelli, que partira da pole position.

A corrida estabilizou após a volta 32, mas os problemas de fiabilidade continuaram a ditar as regras no fundo da grelha. Fernando Alonso recolheu o seu Aston Martin às boxes na volta 35 (os problemas crónicos de bateria da equipa mantêm-se), e na volta 46 foi a vez de Max Verstappen abandonar em definitivo com aquilo que as câmaras onboard revelaram ser uma grave falha elétrica a 10 voltas do fim.

O drama final ficou reservado para o líder. A apenas três voltas da bandeira xadrez, Kimi Antonelli falhou uma travagem e apanhou um susto monumental.

O muro das boxes da Mercedes enviou de imediato uma mensagem de calma: “traz o carro até ao fim”.

Antonelli segurou os nervos, controlou a vantagem sobre Russell e cruzou a meta para vencer o GP da China, selando um pódio de luxo ao lado de Russell e Hamilton.

No final, as emoções estiveram ao rubro para o italiano!


Classificação da Corrida

PosPilotoEquipaIntervaloPits
1Kimi AntonelliMercedesVencedor1
2George RussellMercedes+5.515s1
3Lewis HamiltonFerrari+25.267s1
4Charles LeclercFerrari+28.894s1
5Oliver BearmanHaas F1 Team+57.268s1
6Pierre GaslyAlpine+59.647s1
7Liam LawsonRacing Bulls+80.588s1
8Isack HadjarRed Bull Racing+87.247s2
9Carlos SainzWilliams+1 Volta1
10Franco ColapintoAlpine+1 Volta1
11Nico HulkenbergAudi+1 Volta1
12Arvid LindbladRacing Bulls+1 Volta1
13Valtteri BottasCadillac+1 Volta1
14Esteban OconHaas F1 Team+1 Volta2
15Sergio PerezCadillac+1 Volta1
RETMax VerstappenRed Bull RacingFalha Mecânica/Elétrica2
RETFernando AlonsoAston MartinAbandono2
RETLance StrollAston MartinAbandono
DNSOscar PiastriMcLarenFalha Elétrica
DNSLando NorrisMcLarenFalha Elétrica
RETGabriel BortoletoAudi
RETAlexander AlbonWilliams

​Resumo de Sábado

​A Mercedes é o Alvo a Abater

​Se na Austrália restavam dúvidas, na China elas dissiparam-se: a Mercedes está a mostrar o seu verdadeiro potencial. Quer na Qualificação, quer na Corrida Sprint de sábado, os monolugares da equipa de Brackley impuseram-se perante a concorrência.

​O jovem Kimi Antonelli teve bastante trabalho durante a Sprint, mas demonstrou, volta após volta, que o carro possui um ritmo de corrida demolidor. Neste momento, a Mercedes é, indiscutivelmente, a equipa a bater no asfalto de Xangai.

Ele vai arrancar da Pole Position para o GP da China de 2026. Quem não teve tanta sorte foi Russel que viu o seu Mercedes parar no meio da pista logo no inicio da Q3. Ele não marcou nenhum tempo e vai arrancar de 10º lugar.

Mas ele não pode estar triste após ver a recuperação de Kimi Antonelli na Sprint. O carro é verdadeiramente eficaz e competitivo nesta pista, e a luta pela vitória é possível.


​Ferrari: Sorrisos, um Turbo “Mágico” e Hamilton na Liderança

​Na esfera da Ferrari, respira-se confiança. Após a Sprint, ambos os pilotos apresentaram-se sorridentes nas declarações à imprensa. Lewis Hamilton chegou mesmo a afirmar aos microfones da F1 que o seu novo monolugar é «muito agradável de conduzir».

​Mas o grande trunfo da Scuderia reside na engenharia. A Ferrari parece ter desbloqueado um elemento crucial para estas novas regras de 2026: um turbo mais pequeno.

Esta escolha técnica dá-lhes uma vantagem colossal nos arranques, pois o turbo ganha pressão muito mais rápido. O resultado? Os dois carros vermelhos parecem autênticas “molas” quando as luzes se apagam.

​Tal como já se tinha vislumbrado em Melbourne, a Ferrari provou na Sprint da China que tem o carro mais letal na fase inicial da corrida, com Hamilton a conseguir mesmo liderar a prova graças a este arranque explosivo.

​Red Bull e Aston Martin em Apuros

SHANGHAI, CHINA - MARCH 14: Isack Hadjar of France driving the (6) Oracle Red Bull Racing RB22 Red Bull Ford on track during qualifying ahead of the F1 Grand Prix of China at Shanghai International Circuit on March 14, 2026 in Shanghai, China
. (Photo by Dom Gibbons/LAT Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202603140321 // Usage for editorial use only //

​No outro lado da moeda, o ambiente é pesado. A Aston Martin continua a ser assombrada pelo mesmo “fantasma” da primeira corrida: a crónica falta de bateria nos seus monolugares.

Esta deficiência na gestão de energia está a “cortar as pernas” à performance de Fernando Alonso e Lance Stroll, deixando a equipa britânica fora da luta.

​Também a Red Bull está a ter um fim de semana para esquecer. O carro de Max Verstappen revelou-se pouco competitivo no traçado chinês.

O ex-campeão do mundo sofreu na qualificação e não conseguiu encontrar o ritmo necessário para brilhar na Corrida Sprint.


​Cadillac: Foco em Domingo

​Para a estreante Cadillac, o fim de semana asiático está a ser um batismo de fogo. A equipa americana continua a debater-se com bastantes problemas de juventude no seu monolugar e está a usar as sessões para recolher dados, com a esperança de conseguir melhorar a performance e a fiabilidade para a corrida principal de domingo.

A corrida de Domingo começa cedo e podes ver os horários neste link


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