
O fim de semana de Fórmula 1 já arrancou no imponente traçado de Xangai. Com o regresso do formato Sprint, pilotos e engenheiros tiveram apenas uma hora de treinos livres na sexta-feira para afinar as novas máquinas de 2026.
Apesar do tempo escasso em pista, nota-se que as equipas já trazem na bagagem o conhecimento crucial recolhido na ronda inaugural em Melbourne.
A adaptação aos novos regulamentos está a evoluir, mas o traçado chinês já começou a fazer as suas vítimas e a revelar os verdadeiros favoritos.
O Grande Prémio da China de 2026 entregou tudo o que os fãs de Fórmula 1 poderiam desejar.
Se os novos regulamentos trouxeram dores de cabeça aos engenheiros com a gestão de energia, em pista o resultado é uma animação constante e batalhas intensas.
No final de 56 voltas de pura emoção em Xangai, a juventude falou mais alto: Kimi Antonelli venceu a corrida, liderando uma dobradinha da Mercedes com George Russell em segundo, enquanto Lewis Hamilton fechou o pódio no terceiro lugar após uma intensa luta interna na Ferrari.
O Arranque: Foguetes Vermelhos e o Pesadelo de Verstappen
Quando as luzes se apagaram, a Ferrari voltou a mostrar a sua arma secreta. Os monolugares de Maranello protagonizaram um autêntico “arranque canhão”, deixando a Mercedes literalmente parada na grelha. Um dos grandes segredos da Scuderia é a capacidade impressionante de colocar temperatura nos pneus duros muito mais rápido que a concorrência, o que torna os seus arranques e reinícios de corrida letais.
Mais atrás, o cenário era desolador para Max Verstappen. O neerlandês continua a debater-se com graves problemas no arranque, sendo notória a falta de performance inicial do Red Bull. A frustração de ver grande parte da grelha a passar por si culminou num erro logo nas voltas iniciais, quando Verstappen perdeu a frente do carro e entrou em despiste na Curva 1.
A primeira volta fez ainda mais vítimas. Na Cadillac, Sergio Pérez forçou um espaço que não existia na Curva 2, empurrando o seu colega de equipa, Valtteri Bottas, para fora da linha ideal e causando estragos em ambos os carros da estreante equipa americana. Contudo, o verdadeiro choque inicial veio da garagem da McLaren: ambos os carros nem sequer começaram a corrida devido a falhas no espetro elétrico, selando um fim de semana desastroso.
Safety Car e a Gestão de Pneus
Na volta 11, o motor do Aston Martin de Lance Stroll cedeu, obrigando o canadiano a parar em pista e motivando a entrada do Safety Car. Até este momento, o temido graining (desgaste abrasivo dos pneus) não era uma preocupação maior, e a maioria das equipas aproveitou a neutralização para ir às boxes colocar pneus novos, apontando a estratégia para apenas uma paragem.
No reinício, a ordem no Top 3 era surpreendente, com Kimi Antonelli na frente e um impressionante Franco Colapinto em destaque. O piloto argentino mostrou uma enorme maturidade; ciente de que a sua luta não era pelo pódio, demonstrou ainda assim um ritmo fortíssimo e inteligente quando a corrida foi retomada.
Tensão ao Rubro: A Guerra Civil na Ferrari

O grande espetáculo da corrida desenrolou-se a partir da volta 17. Lewis Hamilton aproximou-se rapidamente do líder Antonelli e, apesar da necessidade de gerir a bateria, o britânico pedia constantemente mais potência à Ferrari para tentar a ultrapassagem.
Sem conseguir passar o Mercedes na volta 20, Hamilton acabou por trazer Charles Leclerc e George Russell para a mistura.
O que se seguiu fez os fãs da Ferrari suarem frio. Hamilton debatia-se visivelmente com a falta de aderência nos pneus traseiros, e a tensão interna explodiu na volta 26 com um pequeno contacto físico (troca de tinta!) entre os dois carros vermelhos. O drama adensou-se na volta 27, deixando claro que a direção da Ferrari liderada por Fred Vasseur ativou o modo “let them race” (deixá-los correr).
A falta de ordens de equipa para proteger o pódio era evidente. Nenhum dos pilotos queria ceder: Leclerc é o “filho da casa” há muitos anos, mas o múltiplo campeão Hamilton não foi para Maranello para prestar vassalagem.
Na volta 35, Hamilton queixou-se por duas vezes de falta de potência, mas a sorte sorriu-lhe quando Leclerc cometeu um erro crasso, perdendo o controlo do carro e entregando o 3º lugar a Hamilton. Lutas como esta podem sair caras nas contas do campeonato de construtores, mas para o desporto, foram momentos de ouro.
A Recuperação de Russell e o Susto de Antonelli
Enquanto a Ferrari lutava consigo própria, George Russell fazia uma corrida de mestre. Pela volta 20, os seus pneus ganharam nova vida.
O britânico fez uma gestão brilhante, queixando-se apenas de que a Ferrari era muito rápida “nos pontos certos” da pista. Foi apenas na volta 29 que Russell se conseguiu finalmente ver livre dos carros italianos, partindo à caça do seu colega de equipa, Kimi Antonelli, que partira da pole position.
A corrida estabilizou após a volta 32, mas os problemas de fiabilidade continuaram a ditar as regras no fundo da grelha. Fernando Alonso recolheu o seu Aston Martin às boxes na volta 35 (os problemas crónicos de bateria da equipa mantêm-se), e na volta 46 foi a vez de Max Verstappen abandonar em definitivo com aquilo que as câmaras onboard revelaram ser uma grave falha elétrica a 10 voltas do fim.
O drama final ficou reservado para o líder. A apenas três voltas da bandeira xadrez, Kimi Antonelli falhou uma travagem e apanhou um susto monumental.
O muro das boxes da Mercedes enviou de imediato uma mensagem de calma: “traz o carro até ao fim”.
Antonelli segurou os nervos, controlou a vantagem sobre Russell e cruzou a meta para vencer o GP da China, selando um pódio de luxo ao lado de Russell e Hamilton.
No final, as emoções estiveram ao rubro para o italiano!
Classificação da Corrida
| Pos | Piloto | Equipa | Intervalo | Pits |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Kimi Antonelli | Mercedes | Vencedor | 1 |
| 2 | George Russell | Mercedes | +5.515s | 1 |
| 3 | Lewis Hamilton | Ferrari | +25.267s | 1 |
| 4 | Charles Leclerc | Ferrari | +28.894s | 1 |
| 5 | Oliver Bearman | Haas F1 Team | +57.268s | 1 |
| 6 | Pierre Gasly | Alpine | +59.647s | 1 |
| 7 | Liam Lawson | Racing Bulls | +80.588s | 1 |
| 8 | Isack Hadjar | Red Bull Racing | +87.247s | 2 |
| 9 | Carlos Sainz | Williams | +1 Volta | 1 |
| 10 | Franco Colapinto | Alpine | +1 Volta | 1 |
| 11 | Nico Hulkenberg | Audi | +1 Volta | 1 |
| 12 | Arvid Lindblad | Racing Bulls | +1 Volta | 1 |
| 13 | Valtteri Bottas | Cadillac | +1 Volta | 1 |
| 14 | Esteban Ocon | Haas F1 Team | +1 Volta | 2 |
| 15 | Sergio Perez | Cadillac | +1 Volta | 1 |
| RET | Max Verstappen | Red Bull Racing | Falha Mecânica/Elétrica | 2 |
| RET | Fernando Alonso | Aston Martin | Abandono | 2 |
| RET | Lance Stroll | Aston Martin | Abandono | – |
| DNS | Oscar Piastri | McLaren | Falha Elétrica | – |
| DNS | Lando Norris | McLaren | Falha Elétrica | – |
| RET | Gabriel Bortoleto | Audi | – | – |
| RET | Alexander Albon | Williams | – | – |
Resumo de Sábado
A Mercedes é o Alvo a Abater
Se na Austrália restavam dúvidas, na China elas dissiparam-se: a Mercedes está a mostrar o seu verdadeiro potencial. Quer na Qualificação, quer na Corrida Sprint de sábado, os monolugares da equipa de Brackley impuseram-se perante a concorrência.
O jovem Kimi Antonelli teve bastante trabalho durante a Sprint, mas demonstrou, volta após volta, que o carro possui um ritmo de corrida demolidor. Neste momento, a Mercedes é, indiscutivelmente, a equipa a bater no asfalto de Xangai.
Ele vai arrancar da Pole Position para o GP da China de 2026. Quem não teve tanta sorte foi Russel que viu o seu Mercedes parar no meio da pista logo no inicio da Q3. Ele não marcou nenhum tempo e vai arrancar de 10º lugar.
Mas ele não pode estar triste após ver a recuperação de Kimi Antonelli na Sprint. O carro é verdadeiramente eficaz e competitivo nesta pista, e a luta pela vitória é possível.
Ferrari: Sorrisos, um Turbo “Mágico” e Hamilton na Liderança
Na esfera da Ferrari, respira-se confiança. Após a Sprint, ambos os pilotos apresentaram-se sorridentes nas declarações à imprensa. Lewis Hamilton chegou mesmo a afirmar aos microfones da F1 que o seu novo monolugar é «muito agradável de conduzir».
Mas o grande trunfo da Scuderia reside na engenharia. A Ferrari parece ter desbloqueado um elemento crucial para estas novas regras de 2026: um turbo mais pequeno.
Esta escolha técnica dá-lhes uma vantagem colossal nos arranques, pois o turbo ganha pressão muito mais rápido. O resultado? Os dois carros vermelhos parecem autênticas “molas” quando as luzes se apagam.
Tal como já se tinha vislumbrado em Melbourne, a Ferrari provou na Sprint da China que tem o carro mais letal na fase inicial da corrida, com Hamilton a conseguir mesmo liderar a prova graças a este arranque explosivo.
Red Bull e Aston Martin em Apuros

No outro lado da moeda, o ambiente é pesado. A Aston Martin continua a ser assombrada pelo mesmo “fantasma” da primeira corrida: a crónica falta de bateria nos seus monolugares.
Esta deficiência na gestão de energia está a “cortar as pernas” à performance de Fernando Alonso e Lance Stroll, deixando a equipa britânica fora da luta.
Também a Red Bull está a ter um fim de semana para esquecer. O carro de Max Verstappen revelou-se pouco competitivo no traçado chinês.
O ex-campeão do mundo sofreu na qualificação e não conseguiu encontrar o ritmo necessário para brilhar na Corrida Sprint.
Cadillac: Foco em Domingo
Para a estreante Cadillac, o fim de semana asiático está a ser um batismo de fogo. A equipa americana continua a debater-se com bastantes problemas de juventude no seu monolugar e está a usar as sessões para recolher dados, com a esperança de conseguir melhorar a performance e a fiabilidade para a corrida principal de domingo.
A corrida de Domingo começa cedo e podes ver os horários neste link





