A Yamaha gastou milhões no novo motor V4 MotoGP para 2026, mas ele tem data de validade. Descobre por que a marca japonesa arriscou tudo e o que Fabio Quartararo pensa desta revolução.

O Dilema de 150cc: Orgulho ou Suicídio?
Na verdade, a Yamaha em 2024 e 2025 tinha dois caminhos para escolher : O fácil ou o difícil, mas ao escolher o V4 para 2026 escolheu o caminho mais difícil.
É a derradeira estratégia dupla para 2027 ( Yamaha V4 1000cc + V4 850cc).
A este respeito, um dos chefes da equipa nipónica foi muito direto em relação a este tema e Paolo Pavesio (diretor de equipa) disse: “Quando se é Yamaha, não dá para aceitar passar uma temporada com 150cc a menos e sem um sistema de ajuste de altura da suspensão“.
A expressão foi usada para ilustrar que a Yamaha estava com um défice de velocidade máxima e aceleração abismal em relação à concorrência em 2025.
Em suma, Isto mostra que dentro da esfera Yamaha que o prestígio vale mais do que o orçamento.
A Yamaha recusou abdicar de um ano inteiro por diversas razões, quer seja por orgulho ou por receio de perder patrocinadores.
Na minha opinião pessoal, acho que fez a melhor opção, e explico o motivo.
O ‘Frankenstein’ de 1000cc: O motor Yamaha V4 com prazo de validade
Para combater essa falta de potencia a Yamaha começou a desenhar o motor Yamaha V4 MotoGP 2026 para substituir o “fraco” motor em linha de 4 cilindros.
No entanto, o grande problema deste investimento é que o motor da V4 MotoGP 2026 só ficou pronto a meio da temporada de 2025 e só irá ter a sua estreia com pilotos oficiais em 2026.
Imagina construir uma casa de luxo sabendo que ela vai ser demolida daqui a 12 meses!
É isso que a Yamaha está a fazer.
Porquê? Porque os dados de 2026 são o “adubo” para o sucesso de 2027.
A marca nipónica tem pouco conhecimento no MotoGP no que toca a fabricar motores V4.
A grande esperança é que consigam encontrar performance nestes V4 de 1000cc e adaptá-los para receber os motores de 850cc.
Para receber estes novos motores de 850cc vai ser preciso uma mota completamente nova, tal como já estão a fazer agora com o novo V4.
E o motor não é apenas “o” problema, é apenas mais um problema a resolver.
Tudo o que vemos na mota atual vai ter que ser mexido. A mota de 2025 foi completamente descartada.
Isto implica “mover” depósitos de combustível, braços oscilantes, chassi e outros componentes.
A “Bomba Relógio” chamada Fabio Quartararo
O Fabio não quer saber de 2027, ele quer ganhar hoje.
Para o Fabio Quartararo, cada décimo de segundo conta.
Qualquer erro na Sprint ou na corrida de domingo pode significar ficar fora da luta pelo top 5. Se ainda tens dúvidas sobre como funciona a distribuição, vê aqui o nosso guia sobre o [Sistema de Pontos do MotoGP].
O V4 de 2026 é, na verdade, um contrato de fidelidade para manter o francês na Yamaha. e não esquecer que ele é o rosto da Yamaha moderna e ao escolher o motor Yamaha V4 para 2026, a marca escolheu o caminho mais difícil.
Se a mota falhar em 2026, a Honda pode ser uma alternativa.
E se Quartararo sai da Yamaha? Qual a alternativa?
Se a Yamaha se encontrar nessa posição tem a opção de dar o voto se confiança a Miller, ou então colocar as fichas todas em Toprak.
O espanhol Alex Rins também pode ser uma consideração, mas tudo depende dos seus resultados em 2026.
Toprak ainda não é uma carta no baralho por duas razões:
- Hoje : Precisa de se adaptar à mota e aos pneus da Michelin de 2026
- Em 2027 : Precisa de se adaptar mais uma vez . E desta, é à mota de 2027 e à nova borracha da Pirelli.
Toprak junta-se a um campeonato do mundo de protótipos em um momento de alterações profundas aos regulamentos.
O Turco, a manter-se no mundo MotoGP, apenas vamos ver a sua real performance em 2028,
Nessa altura já vai contar com 1 ano completo de experiência na mesma mota (850cc de 2027) que vai pilotar no ano seguinte.
A alternativa para Quartararo?
Os recentes rumores indicam a Honda, mas nada está assinado ainda.
A Honda recentemente perdeu as concessões e mostra que está num bom caminho para voltar aos grandes sucessos da era Marc Márquez.
Isto é um bom indicador para todos os envolvidos, mas o Francês e os seu agente pode apenas estar a agitar as águas numa derradeira tentativa da Yamaha conseguir uma máquina a altura para Quartararo.
E tu, achas que a Yamaha está a ser corajosa ou a deitar dinheiro ao lixo? Comenta no final!
O desafio dos engenheiros com o novo Yamaha V4
Dentro da fábrica o stress deve ser enorme.
Enquanto a Ducati já tem o V4 dominado e olha para 2027 com alguma tranquilidade, a Yamaha tem de:
- Aprender a geometria do V4 (que muda tudo: chassis, arrefecimento, eletrónica entre outros).
- Continuar a desenvolver o motor 1000cc para a presente temporada.
- Desenvolver o motor 850cc ( para 2027).
A Yamaha está a tentar correr uma maratona e um sprint ao mesmo tempo.
Praticamente todos os fabricantes estão com grande parte do seu foco apenas em 2027, pois não existe muito mais a melhorar para as motas de 2026.
Para 2026 os engenheiros e pilotos apenas procuram afinar detalhes e a meio da temporada talvez pensar em aplicar novas soluções aerodinâmicas para serem mais rápidos e mais consistentes em relação à concorrência.
A Yamaha por outro lado procura resultados este ano, mas a olhar para o futuro.
A Tabela de Tempos: O que os números escondem
Esta tabela mostra bem que o V4 de 2026 ainda está atrás do Inline4 de 2025.
| Yamaha MotoGP tempos por volta – Sepang Testes 2026 | ||||
| Piloto | 2026 Official Test (V4) | 2026 Shakedown Test (V4) | 2025 Teste Oficial(Inline4) | 2025 Malaysian GP Qualificação (Inline4) |
| Fabio Quartararo | 1m 57.869s* | 1m 57.690s | 1m 56.724s | 1m 57.195s |
| Alex Rins | 1m 57.580s | 1m 57.892s | 1m 57.351s | 1m 57.945s |
| Jack Miller | 1m 58.156s | 1m 57.908s | 1m 57.452s | 1m 57.949s |
| Toprak Razgatlioglu | 1m 58.326s | 1m 58.465s | N/A | N/A |
Comparação V4 com Inline4
*Não competiu no ultimo dia de testes
Existe muito trabalho a fazer na fábrica de Iwata no Japão.
Os tempos ainda não contam a história toda.
Apesar da tabela acima mostrar que o novo motor V4 ainda não consegue fazer tempos mais rápidos do que o motor “antigo” existem vários fatores a ter em conta.
Estes fatores são:
- Motor V4 ainda limitado: Os engenheiros certamente estão a proteger o motor e ao mesmo tempo aumentar a fiabilidade
- Não mostrar à concorrência as suas cartas: A Yamaha pode estar a fazer bluff. Estes tempos do V4 podem ter sido com pneus bastante usados e com combustível cheio
- Os pilotos: Podem não estar em modo qualificação ou a “puxar” a 100% pelas motas. O facto de saberem que existem poucas unidades do V4 disponíveis para testes fazem com que estejam ao máximo evitar cair e danificar componentes.
- Pista ou condições meteorológicas: Simplesmente a pista pode estar verde, ou outros fatores como temperatura ambiente.
Vê o nosso guia de [Onde ver o MotoGP em 2026] para saberes onde ver todas as corridas de MotoGP em 2026.






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